Foto: olhares.comAmor da palavra, amor do corpo
A nudez da palavra que te despe.
Que treme, esquiva.
Com os olhos dela te quero ver,
que não te vejo.
Boca na boca através de que boca
posso eu abrir-te e ver-te?
É meu receio que escreve
e não o gosto do sol de ver-te?
Todo o espaço dou ao espelho vivo
e do vazio te escuto.
Silêncio de vertigem, pausa, côncavo
de onde nasces, morres, brilhas, branca?
És palavra ou és corpo unido em nada?
É de mim que nasces ou do mundo solta?
Amorosa confusão, te perco e te acho,
à beira de nasceres tua boca toco
e o beijo é já perder-te.
(António Ramos Rosa)

1 comentário:
O que move o teu Céu,
o teu Mar,
e as tuas verdes ondas
não é segredo para o teu coração.
Silêncio de vertigem, pausa, conhecer o segredo do teu coração, que move gestos, palavras. Flutuas, invades, aprisionas naturalmente como alma, corpo.
Absorvido pela possibilidade de ler. Silencio de vertigem.
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