08/11/07

BOCA NA BOCA

Foto: olhares.com



Amor da palavra, amor do corpo

A nudez da palavra que te despe.

Que treme, esquiva.

Com os olhos dela te quero ver,

que não te vejo.

Boca na boca através de que boca

posso eu abrir-te e ver-te?

É meu receio que escreve

e não o gosto do sol de ver-te?

Todo o espaço dou ao espelho vivo

e do vazio te escuto.

Silêncio de vertigem, pausa, côncavo

de onde nasces, morres, brilhas, branca?

És palavra ou és corpo unido em nada?

É de mim que nasces ou do mundo solta?

Amorosa confusão, te perco e te acho,

à beira de nasceres tua boca toco

e o beijo é já perder-te.


(António Ramos Rosa)

1 comentário:

Anónimo disse...

O que move o teu Céu,
o teu Mar,
e as tuas verdes ondas
não é segredo para o teu coração.

Silêncio de vertigem, pausa, conhecer o segredo do teu coração, que move gestos, palavras. Flutuas, invades, aprisionas naturalmente como alma, corpo.

Absorvido pela possibilidade de ler. Silencio de vertigem.